Conceitos básicos sobre a toxicidade do oxigênio e antioxidantes


Ouvimos em nosso cotidiano diversos conceitos sobre a toxicidade do oxigênio, o quanto ele pode ser nocivo à nossa saúde e esta molécula é capaz de causar o envelhecimento. Por outro lado é comum ouvirmos em programas de televisão, aulas da faculdade e demais fontes que contamos com diversas defesas contra os efeitos que o oxigênio pode causar a nosso organismo sendo uma delas os antioxidantes.
Mas afinal como que o oxigênio pode causar danos ao nosso organismo? E além disso, o que são os antioxidantes e como eles podem agir em nossa defesa contra essa toxicidade?

TOXICIDADE DO OXIGÊNIO

Apesar de alguns organismos, altamente especializados a viver em condições de baixa concentração de oxigênio, a maioria dos animais e plantas que conhecemos necessitam do oxigênio para sua sobrevivência. Apesar disso, sabe-se que quando este composto se apresenta em concentrações mesmo que um pouco mais altas do que a normalmente encontradas no ar são capazes de causar danos aos organismos (Halliwell 1984; Haugaard 1968). Segundo Rebecca Gershman e Daniel l. Gilbert, propuseram em 1954, o efeito tóxico do oxigênio se deve principalmente ao fato de que estes são precursores de radicais livres. Radicais livres são espécies com um ou mais elétrons desemparelhados em seu orbital externo, sendo desta forma muito reativos. Sua produção é essencial para o metabolismo normal, mas estes são teoricamente destrutivos a não ser que sejam rigidamente controlados (Blake et al. 1987). 
Radicais livres e ação antioxidante
Fonte: http://mundowoman.blogspot.com.br/2015/12/radicais-livres-e-antioxidantes.html



Em altas concentrações, o oxigênio pode agir causando estresse oxidativo, um processo deletério que pode causar diversos danos ao nosso organismo. Dentre os malefícios causados por esses átomos ou moléculas gerados a partir do oxigênio estão o desenvolvimento de doenças/condições como câncer, artrite, envelhecimento e doenças auto-imunes, cardiovasculares e neurodegenerativas (Pham-Huy et al. 2008). 

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Formação de radicais livres


Fonte: https://topsaude.files.wordpress.com/2010/04/freerad2.jpg


ANTIOXIDANTES

De acordo com Halliwell e Gutteridge os antioxidantes são qualquer substância que retarda, previne ou remove o dano oxidativo a qualquer molécula e pode ser sintetizado pelo próprio organismo ou adquirido através da dieta, e esses antioxidantes podem ser endógenos ou exógenos. 
Entre os antioxidantes endógenos, existem os grupos responsáveis por remover as espécies reativas do oxigênio, sendo formado por enzimas como superóxido dismutase, superóxido redutase, catalase, glutationa, entre outras. Além disso, vários antioxidantes podem ser obtidos através da alimentação como vitaminas, vegetais e sais minerais. 
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Alimentos funcionais

                   Fonte: https://www.botanical-online.com/fotos/alimentos2/antioxidantes.jpg


Vários estudos apontam uma relação inversa entre a ingestão de antioxidantes e a incidência de diversas doenças mostrando seu efeito na prevenção das mesmas (Diplock, A. T. 1991; Stanner et al. 2004 ). Além disso antioxidantes também foram relacionados com melhorias nas funções cardiovasculares, memória e diminuição na perda cognitiva relacionada com o envelhecimento. Antioxidantes também podem ser utilizados em certos casos no tratamento de doenças (Firuzi et al. 2011), já que muitas destas são capazes de aumentar o estresse oxidativo em nosso organismo. Estes compostos vem sendo utilizado no tratamento de injúrias  como derrames e também no cuidado de pacientes de transplantes cardíacos e de rins. 
A ação benéfica dos antioxidantes se baseia em sua ação de retardar, prevenir ou remover moléculas que causem o dano oxidativo, mas estes compostos podem agir de diferentes maneiras. Os principais mecanismos de ação dos antioxidantes são: remoção de espécies reativas, prevenção da formação de espécies reativas, aumentando as defesas endógenas ou auxiliando no reparo dos danos causados por estas moléculas.
Apesar de benéficos para o organismo, não é indicado o consumo de altas doses de antioxidantes, uma vez que essa prática também pode não ser benéfica ao nosso metabolismo. Possuir boas condutas alimentares, como comer frutas e vegetais, comer peixe periodicamente, evitar comer carne vermelha em excesso, evitar a obesidade, fazer exercícios moderadamente podem ser as melhores táticas para evitar o dano oxidativo uma vez que otimizam o consumo de antioxidantes em níveis bons para o organismo. 




REFERÊNCIAS


Blake, D. R., Allen, R. E., & Lunec, J. (1987). Free radicals in biological systems—a review orientated to inflammatory processes. British medical bulletin43(2), 371-385.


Diplock, A. T. (1991). Antioxidant nutrients and disease prevention: an overview. The American journal of clinical nutrition53(1 Suppl), 189S-193S.

Gerschman, R., Gilbert, D. L., Nye, S. W., Dwyer, P. & Fenn, W. O. (1954) Science 119,623-629 

Haugaard, N. I. E. L. S. (1968). Cellular mechanisms of oxygen toxicity. Physiological reviews48(2), 311-373.


Halliwell, B., & Gutteridge, J. (1984). Oxygen toxicity, oxygen radicals, transition metals and disease. Biochemical journal219(1), 1.


Halliwell, B., & Gutteridge, J. M. (2007). Free radicals in biology and medicine.


Firuzi, O., Miri, R., Tavakkoli, M., & Saso, L. (2011). Antioxidant therapy: current status and future prospects. Current medicinal chemistry18(25), 3871-3888.


Pham-Huy, L. A., He, H., & Pham-Huy, C. (2008). Free radicals, antioxidants in disease and health. International journal of biomedical science: IJBS4(2), 89.


Stanner, S. A., Hughes, J., Kelly, C. N. M., & Buttriss, J. (2004). A review of the epidemiological evidence for the ‘antioxidant hypothesis’. Public health nutrition7(3), 407-422.



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